A GRANDE CURA
Os dias foram passando, mas não importava quanto tempo havia passado o vazio continuava e Rogério nunca se acostumou, as vezes o buraco estava tão grande que mal conseguia se sentir vivo e foi numa dessas ocasiões que no meio do caminho do trabalho decidiu mudar o rumo, simplesmente passar a manhã sentado no banco da praça, vendo os pombos sendo alimentados por uma senhora, enquanto, outras pessoas corriam ou faziam Yoga, o sol ainda ganhava força, os passarinhos cantavam em cima de uma árvore morta e Rogério sentiu inveja dos galhos secos que mesmo sem vida se faziam mais vivos que ele com o cantorio dos pássaros.
Quando menos esperava um velho se aproximou e perguntou: Posso me sentar?
Como você diz não para um senhor em um banco de praça? simplesmente você não diz, apenas sorri e fala fica a vontade. afinal, o banco é público.
- Sinto saudades de quando eu tinha sua idade. Disse o Senhor ao Rogério e continuou: Desculpe eu me chamo Fernando.
Rogério apenas assentiu com um sorriso, mas o Sr. Fernando não parou por ai.
-Como se chama, meu jovem?
-Rogério.
-Você não me parece muito bem, terminou com a namorada?
-Não, eu sofro de vazio.
Rogério esperava que o velho nunca tivesse ouvido falar mas para sua surpresa Fernando disse: conheço bem esse problema.
-Conhece?
-Sim, meu jovem, é mais comum do que se imagina, eu mesmo já sofri com um buraco imenso no meio do peito.
- Já sofreu? Existe cura?
- Sim existe cura.
Fernando contou toda sua experiência desde como ele percebeu que faltava alguma coisa e as mais loucas aventuras que a vida pudera lhe proporcionar, não muito diferente das curtições de Rogério, na verdade só mudou a época e o local onde se passava.
-Todas as nossas tentativas de preencher o vazio são frustrantes, pois não somos nós quem nos preenchemos.
-Não? Questionou Rogério surpreso.
-Não, quantos anos você tem?
-vinte e quatro.
Rogério estava um tanto impaciente em meio a paciência do idoso e respondeu cheio de pressa tudo o que Fernando lhe perguntava.
-Você tem a sorte grande meu jovem. só não ira se curar se for tolo o suficiente...
Rogério não intendeu o que Fernando queria dizer mas confirmou com a cabeça.
... a cura foi dada a nós há mais de dois mil anos...
- Do que o senhor esta falando?
- Do sangue de Cristo que foi derramado por amor aos homens.
-O que o sangue de Cristo tem a ver com isso?
- Durante quarenta e oito anos eu vim tentando encontrar a cura, confesso que algumas vezes eu quase me senti completo, por centímetros eu quase consegui preencher o vazio, mas não importava o quanto eu mesmo tentava fechar o buraco, meu esforço era insignificante.
- E quando entra o Cristo nessa história?
- Depois de tanto meu irmão me convidar para ir a igreja um dia aceitei. Quando cheguei lá parecia que Deus falava diretamente comigo...
-Essa é a curá? Rogério interrompeu com um ar irônico.
-Rapaz, esse vazio só pode ser preenchido com Jesus Cristo. Bem, você sabe o vazio é a falta de algo dentro da alma, do coração.
-Mas nós podemos preencher com muitas coisas.
- Rogério, Você pode ser o homem mais rico desse mundo, nunca lhe faltar nada, Mas o vazio estará lá. Eu tentei preenche-lo com viagens, filosofia, religião, álcool, sexo, maconha, cocaína, pornografia, antidepressivos,calmantes, namoradas, futebol e nada, o buraco variou de tamanho, mas nunca foi preenchido.
- Porque Jesus não vem e simplesmente nos preenche.
- Ele é amoroso, porém educado. Se você convidar Jesus, pessoalmente, para morar em seu coração, Ele vai ouvi-lo, ainda que você possa ser a pior pessoa deste mundo, se pedir, Ele vai lhe dar do pão e da água da vida.
Rogério riu e disse incredulamente: É só isso?
-Garoto, quando eu tinha sua idade, uma amiga da faculdade me fez o mesmo convite que meu irmão refez vinte e quatro anos depois. Espero que você não seja tolo o suficiente para sofrer tanto tempo sem aceitar a solução para esse maldito buraco.
Rogério se levantou com raiva do velho e saiu andando, no meio do caminho pensou em perguntar para o Sr. Fernando: E se eu não acreditar em Deus? mas quando ele chegou ao banco em que estava anteriormente sentado, o senhor tinha partido, no lugar havia um livro de capa preta e um bilhete que dizia:
Rogério, Mesmo que você nunca tenha acreditado que Deus exista , Ele vai falar ao seu coração através desta mensagem.
O Jovem olhou para o céu crendo que o velho só poderia ser um anjo e disse: Jesus, se você existe, faça morada dentro de mim. Depois dessas palavras Rogério começou a sentir o vazio ser preenchido até ser completamente selado.
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